
O casamento, não importa em qual religião, é uma das tradições mais sólidas e importantes da maioria das sociedades. Trata-se de uma ocasião ímpar nas quais familiares e amigos dos noivos se reúnem para celebrar a enlace matrimonial de duas pessoas que tecnicamente se amam. Mas em algumas ocasiões, para que se chegue ao tão desejado final feliz da história, alguns personagens acabam tendo que percorrer um caminho um tanto quanto diferente e até macabro para o "eles viveram felizes para sempre". Tudo, em nome do amor, independente de raça, crença, idade e até de uma das duas partes estar vivo ou morto... Afinal, o amor supera todos os obstáculos. Será?
A Noiva Cadáver dos diretores Tim Burton e Mike Johnson, acompanha o drama do jovem Victor, que está prestes a se casar com Victoria Everglot dentro de um matrimônio mais voltado pelo interesse do que pelo amor. Durante uma noite sombria, acidentalmente, Victor vai parar em uma floresta e, mais acidentalmente ainda, se casa com a Noiva Cadáver, uma morta enterrada na floresta, que o leva para conhecer a Terra dos Mortos.
Os personagens vistos em A Noiva Cadáver possuem exatamente as características que fizeram da obra de Burton o sucesso que são: tristes e ao mesmo tempo marcantes. Victor é um rapaz tímido e reprimido que foi criado dentro de uma educação muito rígida. Além disso, todos os vivos ao redor dele são igualmente reprimidos, para não dizer, amargos.
Foi justamente nesse aspecto de Burton soube desenvolver uma das melhores idéias de A Noiva Cadáver ao mostrar o mundo dos vivos como um lugar sem graça, com pessoas feias e sem cores, ao contrário da terra dos Mortos, um local animado, colorido e com personagens cômicos, que surgem justamente para dar um ar engraçado para a história, o que funciona perfeitamente. Nesse mundo festivo, que passa longe de um céu com anjinhos ou um inferno com diabos, os únicos infelizes são a noiva-cadáver, sempre melancólica, e o jovem Victor, que além de estar em um mundo diferente do seu, ainda alimenta uma paixão mal resolvida.
Para o final, Burton oferece um desfecho justo com uma mensagem implícita (ou explícita dependendo de quem assista) de que cada pessoa pode guiar sua vida para o caminho que desejar.
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